
O livro Contrapontos da literatura indígena contemporânea no Brasil, de Graça Graúna, apresenta uma reflexão sobre a literatura escrita por autores e autoras indígenas no contexto atual. A autora destaca que essa produção literária nasce da continuidade das tradições orais dos povos originários, que há séculos transmitem histórias, ensinamentos e visões de mundo por meio da palavra falada. Ao migrar para a escrita, essas narrativas não perdem sua força, mas ganham novos caminhos de expressão e circulação.
Graúna discute a literatura indígena como um espaço de resistência e afirmação cultural, onde a voz indígena fala por si mesma, rompendo com estereótipos e interpretações impostas de fora. A obra mostra que esses escritores e escritoras utilizam a literatura para reafirmar identidades, denunciar processos históricos de violência e apagamento, fortalecer a relação com o território e defender modos de vida que valorizam a coletividade, a natureza e a ancestralidade.
Além de abordar temas como memória, espiritualidade, território e luta política, o livro mostra como a literatura indígena contemporânea desafia o cânone tradicional, propondo novas formas de ver e pensar o Brasil. Para Graúna, essa literatura não é apenas um registro cultural, mas um movimento vivo que reinventa linguagens, preserva histórias e abre espaço para diálogos entre diferentes mundos.
Assim, o livro contribui para o reconhecimento da literatura indígena como parte fundamental da literatura brasileira, destacando sua diversidade, potência criativa e importância na construção de uma sociedade mais consciente, plural e justa.

