
Decolonizing Methodologies, de Linda Tuhiwai Smith, discute como a produção do conhecimento ocidental esteve historicamente ligada ao colonialismo e à dominação dos povos indígenas. A autora mostra que a pesquisa não é neutra: ela foi usada para justificar hierarquias raciais, capturar territórios, controlar culturas e silenciar saberes não europeus. Smith argumenta que os povos indígenas foram transformados em “objetos de estudo”, enquanto seus próprios conhecimentos foram desvalorizados, desacreditados ou apropriados. A obra propõe descolonizar as metodologias, ou seja, repensar as práticas de pesquisa de modo que elas reconheçam a legitimidade das epistemologias indígenas. Isso significa produzir conhecimento com as comunidades, ouvindo suas histórias, respeitando suas formas de transmissão oral, espiritual e coletiva. O livro defende uma pesquisa comprometida com a autonomia, a memória, a resistência e a autodeterminação dos povos indígenas. Assim, a obra se torna fundamental para compreender a relação entre conhecimento, poder e colonialidade, e para construir práticas de pesquisa éticas, críticas e contra-coloniais


