Cartografias Literárias Contra-Coloniais – Diálogos entre Escritoras Negras Contemporâneas em Língua Inglesa e Brasileira

A coleção “Feminismo Plural” de Djamila Ribeiro, nos faz refletir acerca de questões importantes no que diz respeito às diversas vertentes do feminismo, de uma maneira acessível e didática. Diante disso, a autora inicia o livro ”Lugar de Fala”, falando sobre o feminismo negro na tentativa de explicitar os conceitos principais e romper com a visão criada por uma sociedade desigual.Djamila faz referência à mulheres negras que fizeram parte da história do feminismo negro no Brasil e no mundo, como Leila Gonzalez, que criticava a “ […] hieraquização de saberes como produto de uma classificação racial da população, sendo assim, reconhecia quem possuia o previlégio social e epstêmico, uma vez que o modelo universal da ciencia pertencia aos brancos. Patricia Hill Collins, que fala da importância das mulheres negras utlizarem de modo criativo o luagr de marginalidade que ocupam na sociedade, a fim de elaborar teorias e pensamentos que possam refletir sobre as diferentes perspectivas e olhares.
A origem do termo lugar de fala é imprecisa, pois além da definição feita pela Comunicação no artigo “ Lugares de fala: um conceito para abordar o segmeto popular da grande imprensa” que explica que o lugar de fala seria “ […] instrumento teórico – metodológico que cria um ambiente explicativo para evidenciar que os jornais populares ou de referência falam de lugares diferentes e concedem espaços diversos à falas das fontes e dos leitores. (AMARAL,2005,p.105)”. Diante disso, a autora acredita que o mesmo surgiu a partir de uma dicussão sobre feminist standpoint (ponto de vista feminista) diversidade, teoria racial crítica e pensamento decolonial, que ao longo do tempo foi moldado em meio aos movimentos sociais, de maneira marcada em debates virtuais como uma ferramenta política,a fim de se colocar contra uma autorização discurssiva.
Por fim, Djamila explica que pensar em um lugar de fala seria romper com o silêncio instituído para quem foi subalternizado, romper com a hierarquia, classificada como violenta e complementa afirmando “Há pessoas que dizem que o importante é a causa, ou uma possível “voz de ninguém”, como se não fôssemos corporificados, marcados e deslegitimados pela norma colonizadora. Mas comumente, só fala na voz de ninguém quem sempre teve a voz e nunca precisou reivindicar sua humanidade”.
RIBEIRO, Djamila. O que é lugar de fala? Belo Horizonte: Letramento; Justificando, 2017.

