Explosão feminista: arte, cultura, política e universidade.

O capítulo “Feminismo Negro”, escrito por Cidinha da Silva, presente na coletânea Explosão Feminista (2018), organizada por Heloisa Buarque de Hollanda, apresenta uma análise sobre o protagonismo e a força política do feminismo negro no Brasil. A autora destaca como esse movimento se consolida como uma crítica necessária e transformadora dentro do próprio campo feminista, ao denunciar as limitações do feminismo hegemônico, historicamente centrado na experiência de mulheres brancas e de classe média.Um dos principais méritos do texto é o conceito de interseccionalidade, conceito fundamental no pensamento de Kimberlé Crenshaw como lente analítica indispensável para compreender as múltiplas opressões vividas pelas mulheres negras. O feminismo negro, ao articular gênero, raça, classe, território e vivência, revela as desigualdades profundas que atravessam a sociedade brasileira e que não podem ser tratadas de forma isolada.A autora também evidencia a importância da pioneiras, intelectuais e ativistas negras brasileiras, como Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro e Beatriz Nascimento, que contribuíram com reflexões sobre identidade, racismo e resistência.

Ao recuperar essas vozes, é possível fortalecer o reconhecimento do feminismo negro como um campo de produção teórica potente e enraizado nas realidades.Outro ponto relevante que a autora destaca é a valorização da vivência como saber e da coletividade como prática política, características que marcam profundamente o feminismo negro, e aponta como as experiências cotidianas de mulheres negras, especialmente das periferias e comunidades se tornam fontes de conhecimento e de luta, rompendo com modelos acadêmicos eurocentrados.Da Silva (2018) também destaca o papel das redes sociais e da juventude negra na disseminação do feminismo negro no século XXI. Plataformas digitais, como Instagram e Twitter, permitiram que jovens mulheres negras alcançassem grande visibilidade, abordando temas como racismo, empoderamento, estética afro, violência policial e maternidade solo de maneira acessível e engajada.

Em suma, o capítulo oferece uma leitura crítica, informada e atualizada sobre o feminismo brasileiro. Ele reafirma que o feminismo negro não é um desdobramento do feminismo branco, mas uma proposta política autônoma, enraizada em outros paradigmas epistemológicos, éticos e sociais. Mais do que uma crítica, o feminismo negro amplia e enriquece o campo feminista, desafiando seus limites e apontando para a construção de uma sociedade mais justa, plural e antirracista.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima