Alice Walker- In Search Our Mother’s Gardens: Womanist Prose (1983)/ Em busca dos jardins de nossas mães: prosa mulherista

O livro “ Em Busca dos Jardins de Nossas Mães” é uma coletânea de ensaios e discursos escritos por Alice Walker entre as décadas de 1960 e 1980. A obra reúne reflexões profundas sobre questões de identidade racial, de gênero, classe social, espiritualidade, literatura e herança cultural afro-americana, com um foco especial nas experiências das mulheres negras ao longo da história dos Estados Unidos.Walker usa o exemplo de sua própria mãe, que, apesar da vida difícil, criava jardins lindíssimos em casa. Para a autora, esse ato de cultivar a terra era uma forma de expressão artística e espiritual, um símbolo de resistência silenciosa e criatividade reprimida. Ela argumenta que muitas mulheres negras, eram impedidas de escrever, pintar ou compor por causa do racismo e do sexismo, e expressavam sua sensibilidade e inteligência de formas alternativas, como na culinária, nos bordados, nos rituais, nas histórias orais, na religião e no cuidado com os outros.

Walker também faz homenagens e reflexões sobre figuras importantes da literatura afro-americana, como: Zora Neale Hurston, uma das grandes influências de Walker, cuja obra foi negligenciada durante muito tempo, mas redescoberta e valorizada graças à dedicação de escritoras como Alice; Martin Luther King Jr., cuja luta pelos direitos civis é revisitada com sensibilidade,dentre outras mulheres negras que, mesmo sem fama, marcaram a vida da autora e de sua comunidade.No decorrer do livro, a autora se posiciona de forma crítica referente ao feminismo branco, que muitas vezes excluiu as experiências das mulheres negras, e propõe uma nova perspectiva, um movimento que reconhece as especificidades da vivência da mulher negra, incluindo sua espiritualidade, sua relação com a comunidade e sua forma singular de resistir e amar.Alice Walker mostra que as mulheres negras, mesmo diante de opressões históricas e severas, nunca deixaram de criar, mesmo que sua arte não tenha sido reconhecida como tal. Diante disso, ela nos convida a resgatar, celebrar e continuar os legados dessas mulheres, reconhecendo sua criatividade e sabedoria como formas legítimas de resistência e construção de identidade.

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