Lélia Gonzalez uma das pioneiras do feminismo negro no Brasil, foi homenageada pela fundação Banco do Brasil juntamente com a Redeh (Rede de desenvolvimento humano) no livro O feminismo negro no palco da história.Lélia de Almeida nasceu em 1° de fevereiro de 1935, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Filha de Acácio Joaquim de Almeida e Urcinda Seraphina de Almeida, mudou-se para o Rio de Janeiro após a morte do pai e enfrentou muitos desafios para concluir seus estudos. Concluiu o seu primeiro curso científico em 1954, o início de uma linda e brilhante trajetória acadêmica na Universidade do Estado da Guanabara (UEG) atual Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) na qual se formou em Licenciatura em História e Geografia em 1959; Bacharel em Filosofia 1962 e Licenciatura em filosofia em 1963.
A feminista negra refletia sobre a ausência de mulheres negras e indígenas no feminismo hegemônico e questionava a insistência dos intelectuais em reproduzirem somente uma visão de feminismo europeu, deixando de dar a devida importância à realidade das mulheres que faziam parte de países colonizados. Leila compreendia a importância do movimento feminista como a junção da teoria e da prática no combate às desigualdades e na procura de novas formas de ser mulher. Em 1978, foi criado o MNU (Movimento Negro Unificado) do qual Léila Gonzalez foi uma das fundadoras. Este movimento foi um marco importante para a população negra no Brasil. A participação de Leila neste movimento fez com que ela se dedicasse totalmente à questão racial, e como uma forma de registro, publicou o livro Lugar de Negro em 1982, no qual relata o processo do qual foi uma das principais protagonistas. Além disso, sinaliza as dificuldades persistentes para o fortalecimento da organização política dos negros brasileiros.
Na década de 1980, com a fundação de novos partidos políticos como o PT (Partido dos Trabalhadores), Leila realizou uma nova inflexão política em sua trajetória, na qual tinha como sua plataforma política a luta contra o racismo, assumindo sua identidade de mulher negra com posições ideológicas de esquerda. Em 1982, foi candidata à deputada federal, mas não foi eleita, sua campanha intitulada como “Maiorias Silenciadas” foi baseada na agenda dos movimentos negros e das mulheres.No ano de 1988, com a promulgação da Carta Constitucional na qual tiveram avanços sobre a questão racial no Brasil. A prática de racismo foi constituída como “crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei” pela primeira vez na legislação brasileira.Na década de 90, mesmo afastada dos movimentos militantes Lélia ainda expressava seu descontentamento com aqueles que se corropiam pela lógica do sistema capitalista, além disso o machismo dentro do movimento negro no Brasil, lhe causava grande desconforto, pois uma de suas maiores bandeiras de luta era a tão almejada igualdade.
Lélia Gonzalez faleceu em 10 de julho de 1994, em casa, como sempre desejou. Foi uma das grandes líderes brasileiras, reinterpretando a história do Brasil pela perspectiva da mulher negra. Sem sombra de dúvida, seu legado ocupa um lugar especial nas ações políticas das maiorias silenciadas, que jamais deixaram de lutar por seus direitos. Lélia Gonzalez é o monólito do feminismo negro no Brasil.


